Hoje saímos de San Matias às 8:00 hs manhã e seguimos devagar e sempre por essa estrada de terra, que não está boa, e com as motos pesadas não há como render a viagem; passamos pela região pantanosa boliviana, com muitos animais como; garças, tuiuiú, veados, capivaras, tucanos... eu citei exatamente os que eu ví na estrada; um lugar muito bonito; também perigoso, mas estamos nos cuidando e andando só na volta do dia mesmo, nada de viajar a noite por aqui; chegamos aqui em San Ignácio às 16:00 hs, e logo de cara pegamos uma fila imensa para abastecer as motos; quando chegamos, só na fila em que estávamos tinha 30 motos na nossa frente, sem dizer dos carros e galões que vão sendo abastecidos fora da fila; segundo um moto taxista, havia 03 dias que não havia combustível na cidade e havia acabado de chegar, por isso a muvuca; se tivéssemos chegado ontem, estaríamos aqui até hoje do mesmo jeito. Depois de abastecer por volta das 17:30 hs, não dava mais para seguir, então procuramos um hotel e estamos nós e as motos em segurança. San Ignácio é uma cidade do tempo dos Jesuítas, com muitas construções antigas e muito bonitas por sinal. Na chegada ao hotel, o Sr. Reinaldo, empresário e pecuarista aqui de San Ignácio veio falar conosco e nos conhecer melhor, ele também já viajou muito de moto e gosta até hoje; ele é dono de uma distribuidora de água mineral aqui, e disse que podemos levar quantos litros conseguirmos levar.... o falta que faz um caminhão pipa numa hora dessas, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk; pois é amanhã depois do café, passaremos lá e pegaremos pelo menos uns 02 litros cada um e seguiremos para Santa Cruz, onde creio que chegaremos alí pelas 15:00 hs. Amanhã postarei as fotos aqui da cidade de San Ignácio.
Mototurismo ...conhecendo o mundo, em duas rodas... acompanhe aqui minhas viagens de moto; dos preparativos à conclusão.
Bem vindo...
...bem vindo a porta que te levará a viajar comigo; que te fará meu companheiro(a) em cada nova aventura... e história nas antigas; venha, vamos juntos conhecer o mundo... Andarilho.
Quem sou eu
- Andarilho
- Porto Velho , Rondônia, Brazil
- ...Motociclista aventureiro, apaixonado pela vida e pela liberdade... ...Andarilho autodidata em moto turismo; é otimista, prega e tem por objetivo, viver a vida intensamente com responsabilidade; preza pela direção defensiva e responsabilidade no trânsito, é disciplinado e adora desafios. Possui vasta experiência em viagens de curto, médio e longo alcance; e tem prazer em planejar, organizar e executar expedições, viagens e passeios; sempre muito bem acompanhado por sua fiel companheira "Sarita", sua Nx 350 Sahara 1999; manja da mecânica básica de motos e fala "portunhol" 🤣
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Dia 02 maio: Cáceres – San Matias 100 kms
Hoje fomos na Polícia Federal e segundo eles não é mais
necessário eles carimbarem o passaporte devido um acordo com o governo
boliviano; então fomos procurar a Anvisa, para fazer a Carteira Internacional
de Vacina contra a Febre Amarela exigida na Bolívia; mas depois de procurar em
uns três endereços diferentes tivemos uma notícia não muito boa, não existe
mais Anvisa em Cáceres, só em Cuiabá; ficamos bem preocupados mas mesmo assim
tocamos para san Matias, onde estamos agora; já saímos bem tarde de Cáceres,
pois ficamos em uma casa de câmbio aguardando entrar dólares, pois o câmbio com
dólar é bem melhor que com real(R$ 1,00:3,15 Bolivianos e 1 Dólar:6,8 bolivianos); chegamos em San Matias às 15:00 hs, e até
fazermos os trâmites na Imigração e na Aduana e trocar o dinheiro já era
próximo das 17:00 hs, e para rodar 315 kms em estrada de terra para San Ignácio não dava mais, pois
essa região de fronteira a noite é problema; estamos no hotel Las Vegas aqui em San Matias e amanhã vamos
tocar pra dentro com o Fabio sem a tal carteira mesmo; a carteira dele vai ser
uma nota de 20 bolivianos. Agora vamos descansar para encarar a terra amanhã.
Dia 1º maio: Rolim de Moura – Cáceres 800 kms
Saímos
de Rolim às 05:30 hs, uma oração dentro do capacete... coração apertado por
estar deixando as pessoas que amo para trás e ao mesmo tempo alegria
por realmente estar começando a viagem; em Pimenta Bueno o Júnior Tortola nos
esperava para nos desejar uma ótima viagem, e em Vilhena a prima do Fabio também estava nos esperando; deslocamento para Cáceres
tranquilo; estamos rodando na média de 110 km/h, pois nossas motos estão bem
pesadas; levamos o dia todo para rodar esses 800 kms, pois nossas paradas foram
um pouco mais demoradas, por causa do calor exagerado; chegando em Cáceres
ficamos alojados na sede do MC Abutres, fomos muito bem recepcionados pelo
Sub-Diretor da Facção de Cáceres o Gurú e por seu filho também integrante dos
Abutres o Daygurú; nos deixaram bem a vontade em sua sede que é completa, com
alojamento, WC, cozinha, garagem... mesa de sinuca, churrasqueira...; obrigado
aos irmãos de Cáceres e ao Justino de Cuiabá que fez o contato para nós.
![]() |
| saindo de casa |
![]() |
| nascer do sol na estrada |
![]() |
| Júnior em Pimenta |
![]() |
| prima do Fabio em Vilhena |
![]() |
| entrando no MT |
![]() |
| almoço do Fabio |
![]() |
| cafezinho na estrada |
![]() |
| Posto Tuiuiú em Pontes e Lacerda |
![]() |
| Sede dos Abutres de Cáceres |
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Expedição Altiplano 2013; preparativos
A Expedição Altiplano será realizada em maio de 2013; onde eu, Andarilho, em minha NX 350 Sahara e Fabio também aqui de Rolim de Moura, em sua Teneré 250; percorreremos o altiplano boliviano; conhecendo seus principais atrativos, sua cultura, seus sabores e principalmente seu povo.
Durante a expedição, estaremos postando nosso diário de bordo; viaje conosco através das postagens, fotos e vídeos; deixe seu comentário, sua sugestão, informação e/ou elogio...; o nome "Expedição Altiplano" foi escolhido porque o altiplano será nosso palco em mais essa aventura.
Lugares de interesse nessa Expedição: Sucre, Potosí, Salar de Uyuni, Laguna Verde e Colorada, Gêiser Sol de La Mañana, o próprio "altiplano", em sua vastidão; e pra fechar com chave de ouro; a Carretera de La Muerte...
Durante a expedição, estaremos postando nosso diário de bordo; viaje conosco através das postagens, fotos e vídeos; deixe seu comentário, sua sugestão, informação e/ou elogio...; o nome "Expedição Altiplano" foi escolhido porque o altiplano será nosso palco em mais essa aventura.
Lugares de interesse nessa Expedição: Sucre, Potosí, Salar de Uyuni, Laguna Verde e Colorada, Gêiser Sol de La Mañana, o próprio "altiplano", em sua vastidão; e pra fechar com chave de ouro; a Carretera de La Muerte...
![]() |
| Rota |
![]() |
| Rota |
![]() |
| Salar de Uyuni |
![]() |
| Estrada da Morte |
![]() |
| Andarilho e sua fiel companheira Sarita |
![]() |
| Fabinho e sua Ténéré |
![]() |
| O adesivo |
sexta-feira, 22 de março de 2013
Peru e Bolívia: a melhor época
Nas localidades do Altiplano do Peru (como Puno e Cusco) e da Bolívia (como La Paz), é grande a amplitude térmica diária durante todo o ano: as primeiras horas da manhã são muito frias e a temperatura sobe até o começo da tarde para, no final do dia, ir caindo lentamente. O que mais influencia a sensação térmica é o fato de estar fazendo sol ou não. Aliás, nos dias ensolarados, você já sente a diferença de temperatura quando caminha na sombra. As noites são sempre frias e as madrugadas, geladas. No inverno, evidentemente, o frio é mais intenso, mas os dias costumam ser secos e ensolarados. É a alta estação. Quem quiser ver a Festa do Sol em Cusco (24 de junho) pegará o início de um inverno em que as cidades turísticas do Altiplano lotam de visitantes estrangeiros e os preços sobem. Já o verão não é a época mais adequada para se visitar o Altiplano, pois chove de dezembro até meados de março, quando as estradas podem ficar bloqueadas. No litoral peruano, apesar da latitude equivalente à dos Estados do Nordeste brasileiro e da altitude zero, no nível do mar, chuvas são quase inexistentes em qualquer época do ano e as temperaturas nunca são muito altas nem baixas. Nas noites de inverno, a temperatura dificilmente fica abaixo dos 12ºC, enquanto que, no auge do verão, é raro os termômetros ultrapassarem os 30°C. Isso se explica pela proximidade dos Andes e pela influência da corrente fria de Humboldt, que acompanha a costa do Pacífico. A região amazônica é quente e úmida em qualquer época do ano. Como as maiores atrações se encontram no Altiplano, as melhores épocas para se visitar o Peru e a Bolívia são a primavera e o outono. Os meses ideais são abril, maio, setembro e outubro. Se não puder ir nessa época, prefira o inverno ao verão. Essas referências, porém, não são estáticas. Peru e Bolívia são países periodicamente afetados por “El Niño” e “La Niña”, fenômenos climáticos complexos, relacionados com a variação da temperatura da superfície do Oceano Pacífico, que ocasiona significativas alterações nos ventos e na umidade do ar, influenciando, por vezes, o clima de todo o planeta.
Trecho do guia de viagem PERU E BOLÍVIA da série GTB - Guia do Turista Brasileiro, pág. 50
Trecho do guia de viagem PERU E BOLÍVIA da série GTB - Guia do Turista Brasileiro, pág. 50
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Temporada; Alta e Baixa.
![]() |
Alta Temporada:
Caribe e México: 15 de Nov - 6 de Set.
América Central, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela: 15 de Jun - 6 de Set / 15 de Nov - 15 de Jan.
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai: 1 de Jun - 15 de Ago / 1 de Dez – 28 de Fev.
Europa: 16 de Mai - 14 de Out.
Japão: 1 de Mai - 30 de Set.
Baixa Temporada:
Caribe e México: 7 de Set - 14 de Nov.
América Central, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela: 16 de Jan - 14 de Jun / 7 de set - 14 de Nov.
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai: 1 de Mar - 31 de Mai / 16 de Ago - 30 Nov.
Europa: 15 de Out - 15 de Mai.
Japão: 1 de Out - 30 de Abr.
Obs.: De uma temporada para outra os preços podem variar em até 50%, por isso escolha bem a melhor época; tanto para sua satisfação, como também para seu bolso.
Obs.: De uma temporada para outra os preços podem variar em até 50%, por isso escolha bem a melhor época; tanto para sua satisfação, como também para seu bolso.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Aquaplanagem Idiota
O nome desse vídeo no YouTube é "Idiotas de moto no Perú"; sem ofensas aos autores de tal façanha; mas realmente esses dois não tem o mínimo conhecimento de uma pilotagem segura, ou realmente quiseram cair...
sábado, 22 de dezembro de 2012
Feliz Natal e um 2013 de muitas realizações!
Que você tenha um Natal repleto de amor e paz, juntamente com seus familiares e amigos; e que seus sonhos se realizem nesse ano que se inicia, que em 2013 possamos rodar muitos quilômetros e rever e fazer muitos amigos!
Como considero que todo estradeiro é também um andarilho, aceite esse singelo presente de natal:
Menor que meu sonho
não posso ser
Mil identidades secretas.
Mil sobras, sombras, mil dias.
Todas palavras e tudo.
Barco de ambigüidade,
sôfregas palavras.
De todas contradições, desencontros,
dos contrários de mim,
andarilho da flecha de várias pontas, direções.
Dos outros seres
que também andarilham.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Andarilho
de ervas sutis
crescidas de noites luzes
becos latinos frêmitos Andes ilhas.
Andarilho
de santos falidos, feridos
de vaidade.
Dos frutos da segurança vã,
vã beleza de repente solidão.
Feitiços, laços, encantamentos.
Prodígios, Tordesilhas, ressentimentos.
Andarilho de perder pele, asa e uso,
mariposa da lua difusa do amanhecer.
Andarilho
de paisagens precárias do sentimento
guardado a sete chaves,
não fotografável,
nem desvendável em câmaras escuras, secretas torturas,
ou à luz de teus olhos surpresos, presos
nos meus olhos, ilhas.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Andarilho.
De insignificâncias magníficas colheitas do nada.
De tudo que ninguém se lembra
nem nunca escreveu.
De uma nuvem veloz reflexo de outra nuvem
andarilha nuvem do sul
de onde vem a luz,
andarilho.
Crescem em mim as palavras sensações mais estranhas
e andarilham.
Arrulho de palavra pousada ave
sobre um minuto de trégua e milagre do tempo
quando o sol se põe atrás do horizonte inquieto
do dicionário
e da dúvida:
armadilha.
na saliva na garganta
na palavra escrita primavera
na capa de um caderno antigo
do Grupo Escolar Polidoro Santiago de Timbó
andarilho de linhas esquecidas tortas velhas trilhas
datas de nascimento e burlescos aniversários
andarilho andorinha
em ziguezague na festa
na face de Deus.
Aos trancos e barrancos, andarilho.
De trincos e garimpos, andarilho.
Andarilho de desafios, desafinos.
De socos recebidos e raros revides,
de atonias em atrofias, andarilho.
Andarilho.
Na diferença palpável da volúpia.
De assédios, impertinências, ideologias.
De recalques,
decalques, vídeos, celulóides, fitas
gravadas da liberdade,
gravatas, contatos, contratos,
andarilho.
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
II
Empoleirado em minha gaiola de ineficiência,
andarilho.
Longe de grandes e confortáveis salas
da subserviência, andarilho.
Transitivo, substantivo, adjetivo.
Solto na correnteza do medo, da instabilidade
de tudo, na multidão de afetos.
Eu, claro enigma: sete palmos de terra,
sagrado sopro de todo o sentimento.
Eu, quebrado espelho d’água de Narciso
e fogo de Orfeu entre a paixão
e o definitivo tempo.
Eu estranho a maioria das vezes
na própria terra do poema
onde me sedimento, acidento,
me desencaminho, me aninho,
me enovelo em trama de pouco, em menos,
em quase nada
e mesmo assim andarilho.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
eu matéria recalcitrante do futuro.
Eu a nação inteira sob o impacto do sonho.
Eu dissecando a morte sobre a mesa da manhã.
Eu onipresente e diluído na dor geral.
III
Fechei meu expediente da comoção fácil.
Corretores da insegurança:
deixai a sala de frente da precariedade.
Atravesso jejuns, desdéns,
indecisões, hospedarias do tempo.
A luz acesa de hotéis bordéis pobres e mal cheirosos
suicídios alheios pleonasmos.
Atravesso anúncios
e antenas.
Os homens apressados do século XX
e sua matéria veloz de sobrevivência atravesso.
A rua que antes atravessei atravesso outra vez
e a praça onde contornei a liberdade
da palavra
e da liberdade.
volto a atravessar.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Atravesso cartazes de cinema
ofertas do dia de supermercados.
Estádios de futebol, sirenes que falam
de morte inventada em subterrâneos sombrios.
Atravesso lianas, liames, hienas, reconciliações,
pecados capitais e provincianos ais.
Atravesso manchetes
de maré cheia, crescente de vazantes mares,
absurdas frases e as mais absurdas caligrafias,
atravesso sentidos sem sentido nenhum, de repente,
onde me decifro e hieróglifo.
Vácuos, opalas, opalinas, vícios.
Mesuras, curvaturas, arbítrios, alienações.
Tudo atravesso.
Atravesso a casa dos ventos uivantes.
O assombro, a censura,
a navalha na carne.
Atravesso o crime perfeito, utopias,
as profecias todas do país das falas guaranis,
guaranás.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
IV
Não afino com instrumento
que se toca à distância
Não proponho propostas de diluição
Não sou agente do vazio
nem de asas que o homem não tem
Se acreditais em sistemas de elocubração
Na gema brilhante do nada
Em recheio de palavras e sofisticados relatórios
Se acreditais em clara batida
nas panelas obscuras da prepotência
Se quereis teorias de mim
Se me quereis longe da paixão:
tirai o cavalo da chuva
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
V
Passa o tempo.
Como passa, passou o tempo.
oh! frase feita,
inútil consolo e alívio.
Passo este tempo que me passa.
Passo pontos de interrogação, helespontos,
helespantos.
Passo a ponte, o poente.
Deliberadamente passo
mas sem pressa, passo
a passo.
Passo os fusos horários
e passeio entre o sonho
e as palavras.
Também entre as obscenas por decreto.
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
VI
Atravesso compêndios, currículos, apostilas
de silêncio
e minha sombra pisada
por outra sombra
também feita de tudo
e nada
Atravesso simulacros
e arranco o lacre da palavra
Pois menor que meu sonho
não posso ser
atravesso o avesso
E meu barco de travessias
é a palavra terra
cercada de água por todos os lados
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Estou do lado de lá da ilha
Aqui disponho de mim
e conheço meu próprio acesso
Aqui conheço a face inversa da luz
onde me extravio
e não cessarei jamais
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
Como considero que todo estradeiro é também um andarilho, aceite esse singelo presente de natal:
O POEMA DO ANDARILHO
IMenor que meu sonho
não posso ser
Mil identidades secretas.
Mil sobras, sombras, mil dias.
Todas palavras e tudo.
Barco de ambigüidade,
sôfregas palavras.
De todas contradições, desencontros,
dos contrários de mim,
andarilho da flecha de várias pontas, direções.
Dos outros seres
que também andarilham.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Andarilho
de ervas sutis
crescidas de noites luzes
becos latinos frêmitos Andes ilhas.
Andarilho
de santos falidos, feridos
de vaidade.
Dos frutos da segurança vã,
vã beleza de repente solidão.
Feitiços, laços, encantamentos.
Prodígios, Tordesilhas, ressentimentos.
Andarilho de perder pele, asa e uso,
mariposa da lua difusa do amanhecer.
Andarilho
de paisagens precárias do sentimento
guardado a sete chaves,
não fotografável,
nem desvendável em câmaras escuras, secretas torturas,
ou à luz de teus olhos surpresos, presos
nos meus olhos, ilhas.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Andarilho.
De insignificâncias magníficas colheitas do nada.
De tudo que ninguém se lembra
nem nunca escreveu.
De uma nuvem veloz reflexo de outra nuvem
andarilha nuvem do sul
de onde vem a luz,
andarilho.
Crescem em mim as palavras sensações mais estranhas
e andarilham.
Arrulho de palavra pousada ave
sobre um minuto de trégua e milagre do tempo
quando o sol se põe atrás do horizonte inquieto
do dicionário
e da dúvida:
armadilha.
na saliva na garganta
na palavra escrita primavera
na capa de um caderno antigo
do Grupo Escolar Polidoro Santiago de Timbó
andarilho de linhas esquecidas tortas velhas trilhas
datas de nascimento e burlescos aniversários
andarilho andorinha
em ziguezague na festa
na face de Deus.
Aos trancos e barrancos, andarilho.
De trincos e garimpos, andarilho.
Andarilho de desafios, desafinos.
De socos recebidos e raros revides,
de atonias em atrofias, andarilho.
Andarilho.
Na diferença palpável da volúpia.
De assédios, impertinências, ideologias.
De recalques,
decalques, vídeos, celulóides, fitas
gravadas da liberdade,
gravatas, contatos, contratos,
andarilho.
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
II
Empoleirado em minha gaiola de ineficiência,
andarilho.
Longe de grandes e confortáveis salas
da subserviência, andarilho.
Transitivo, substantivo, adjetivo.
Solto na correnteza do medo, da instabilidade
de tudo, na multidão de afetos.
Eu, claro enigma: sete palmos de terra,
sagrado sopro de todo o sentimento.
Eu, quebrado espelho d’água de Narciso
e fogo de Orfeu entre a paixão
e o definitivo tempo.
Eu estranho a maioria das vezes
na própria terra do poema
onde me sedimento, acidento,
me desencaminho, me aninho,
me enovelo em trama de pouco, em menos,
em quase nada
e mesmo assim andarilho.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
eu matéria recalcitrante do futuro.
Eu a nação inteira sob o impacto do sonho.
Eu dissecando a morte sobre a mesa da manhã.
Eu onipresente e diluído na dor geral.
III
Fechei meu expediente da comoção fácil.
Corretores da insegurança:
deixai a sala de frente da precariedade.
Atravesso jejuns, desdéns,
indecisões, hospedarias do tempo.
A luz acesa de hotéis bordéis pobres e mal cheirosos
suicídios alheios pleonasmos.
Atravesso anúncios
e antenas.
Os homens apressados do século XX
e sua matéria veloz de sobrevivência atravesso.
A rua que antes atravessei atravesso outra vez
e a praça onde contornei a liberdade
da palavra
e da liberdade.
volto a atravessar.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Atravesso cartazes de cinema
ofertas do dia de supermercados.
Estádios de futebol, sirenes que falam
de morte inventada em subterrâneos sombrios.
Atravesso lianas, liames, hienas, reconciliações,
pecados capitais e provincianos ais.
Atravesso manchetes
de maré cheia, crescente de vazantes mares,
absurdas frases e as mais absurdas caligrafias,
atravesso sentidos sem sentido nenhum, de repente,
onde me decifro e hieróglifo.
Vácuos, opalas, opalinas, vícios.
Mesuras, curvaturas, arbítrios, alienações.
Tudo atravesso.
Atravesso a casa dos ventos uivantes.
O assombro, a censura,
a navalha na carne.
Atravesso o crime perfeito, utopias,
as profecias todas do país das falas guaranis,
guaranás.
Pois menor que meu sonho
não posso ser
IV
Não afino com instrumento
que se toca à distância
Não proponho propostas de diluição
Não sou agente do vazio
nem de asas que o homem não tem
Se acreditais em sistemas de elocubração
Na gema brilhante do nada
Em recheio de palavras e sofisticados relatórios
Se acreditais em clara batida
nas panelas obscuras da prepotência
Se quereis teorias de mim
Se me quereis longe da paixão:
tirai o cavalo da chuva
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
V
Passa o tempo.
Como passa, passou o tempo.
oh! frase feita,
inútil consolo e alívio.
Passo este tempo que me passa.
Passo pontos de interrogação, helespontos,
helespantos.
Passo a ponte, o poente.
Deliberadamente passo
mas sem pressa, passo
a passo.
Passo os fusos horários
e passeio entre o sonho
e as palavras.
Também entre as obscenas por decreto.
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
VI
Atravesso compêndios, currículos, apostilas
de silêncio
e minha sombra pisada
por outra sombra
também feita de tudo
e nada
Atravesso simulacros
e arranco o lacre da palavra
Pois menor que meu sonho
não posso ser
atravesso o avesso
E meu barco de travessias
é a palavra terra
cercada de água por todos os lados
Pois menor que meu sonho
não posso ser
Estou do lado de lá da ilha
Aqui disponho de mim
e conheço meu próprio acesso
Aqui conheço a face inversa da luz
onde me extravio
e não cessarei jamais
Pois menor que meu sonho
não posso ser.
Lindolf Bell
Assinar:
Postagens (Atom)






























































