Bem vindo...

...bem vindo a porta que te levará a viajar comigo; que te fará meu companheiro(a) em cada nova aventura... e história nas antigas; venha, vamos juntos conhecer o mundo... Andarilho.

Quem sou eu

Minha foto
Porto Velho , Rondônia, Brazil
...Motociclista aventureiro, apaixonado pela vida e pela liberdade... ...Andarilho autodidata em moto turismo; é otimista, prega e tem por objetivo, viver a vida intensamente com responsabilidade; preza pela direção defensiva e responsabilidade no trânsito, é disciplinado e adora desafios. Possui vasta experiência em viagens de curto, médio e longo alcance; e tem prazer em planejar, organizar e executar expedições, viagens e passeios; sempre muito bem acompanhado por sua fiel companheira "Sarita", sua Nx 350 Sahara 1999; manja da mecânica básica de motos e fala "portunhol" 🤣

sexta-feira, 21 de março de 2014

Mecânica básica, aula 03: retífica, carburador e embreagem

Retífica:


Retificar, segundo o dicionário é o mesmo que corrigir, emendar, alinhar, endireitar, arranjar. As peças internas do motor estão em constante atrito, sujeitas a grandes esforços e trabalham sempre em alta temperatura, isso contribui para um desgaste natural dessas peças.Esses desgastes causam folgas e barulhos no motor, mas quando se trata de desgastes no pistão, anéis e camisa... aí o negócio fica mais sério, pois já impacta na compressão, causando perda de potência da moto. A função da retífica é justamente tirar essas imperfeições, por exemplo desgastando a camisa.... e assim por diante.

Principais sintomas/motivos para a necessidade de retífica:

A compressão do motor estiver baixa / perda de potência
Fundição das peças por falta de óleo, mistura pobre
Excesso de fumaça e barulho
Alto consumo


Além do desgaste natural das peças, o mau uso tbm pode causar a necessidade de retífica antes do tempo:

super aquecimento
manter o óleo baixo ou o péssimo costume de só completar o óleo
sair com o motor ainda frio
falta de manutenção preventiva


É interessante salientar que a retífica pode ser completa ou parcial. Costuma-se dizer, por exemplo, retificar a parte de baixo, que significa restaurar a parte do bloco, que inclui a camisa do cilindro, virabrequim, pistão e biela; ou retificar a parte de cima que é o cabeçote com as válvulas, guias...etc.

Para direcionar a análise:

Motor 4 tempos
Baixa potência, baixa compressão e fumaça no escape com o motor quente, sinal de necessidade de retífica do cilindro
Baixa potência, baixa compressão mas não sair fumaça no escape, sinal de necessidade de retífica no cabeçote

Motor 2 Tempos
Baixa compressão, falta de força, pedal de partida muito mole, sinal de necessidade de retífica de cilindro



Embora não sei de que cabeçote se trata, achei um vídeo bacana que mostra o passo a passo de uma retífica, mas antes vale tbm rever a aula 4/5 referente as válvulas para reconhecer os processos.


Algumas particularidades:

  • Motos como a Fazer/Lander (que utilizam praticamente o mesmo motor) não tem retífica de cilindro, pois elas não possuem camisa.






  • Normalmente os motores aceitam até 4 retíficas, aumentando 0,25mm de diâmetro em cada uma, mas algumas motos, como a Intruder, só aceita 2 retíficas, aumentando 0,50mm em cada uma.
  • Ao fazer o desgaste da camisa, é lógico que será necessário trocar tbm o tamanho do pistão e anéis, visto que a folga ficaria maior se usasse os originais, o profissional da retífica passam os novos diâmetros.
 Após pegar as peças retificas, é necessário um cuidado especial na montagem e no novo amaciamento do motor, para que tenha um perfeito casamento das peças e uma vida longa novamente ao motor.




Carburador:


Embora o carburador de cada motocicleta seja diferente em dimensões, calibragem de gicleurs, regulagem de entrada de ar... dentre outras características, todos eles tem o mesmo princípio de funcionamento, que é o mais interessante em conhecer.

Funcionalidades:

Pulverizar a gasolina que entra dentro da câmara de combustão
Misturar ar + gasolina na proporção correta
Aumentar ou diminuir a velocidade em que a mistura entra no motor...mas vamos entender melhor isso tudo \o/

1º - Pulverizar a gasolina que entra dentro da câmara de combustão
Para que ocorra a combustão, é necessário que a mistura (gasolina + ar) chegue a faísca da vela, mas ela estando totalmente líquida não ocorre esse processo, é necessário portanto que a gasolina esteja pulverizada.
O princípio de pulverizar é o mesmo que encontramos por exemplo num desodorante, quando um vaporizador transforma o líquido em pequenas gotículas dispersas no ar.




2º - Misturar ar + gasolina na proporção corretaJá vimos anteriormente que para a queima total da gasolina, é necessário que a proporção esteja em 15:1 em média. Para o bom funcionamento da motoca, é importante que isso seja respeitado, pq:

A proporção de gasolina maior que a de ar é chamada de Mistura Rica, e provoca um consumo excessivo de combustível, deixa a marcha lenta irregular, perde potência, solta cheiro de gasolina pelo escapamento e provoca excesso de carbonização na vela
A proporção de ar maior que a de gasolina é chamada de Mistura Pobre, e provoca superaquecimento no motor, chegando ao ponto de fundir ou furar o pistão a longo prazo, perde potência e tbm cria depósitos embranquecidos na vela3º - Aumentar ou diminuir a velocidade em que a mistura entra no motor
O carburador é responsável por alimentar o motor sempre com doses iguais de mistura, mas nem sempre com a mesma velocidade. Alguns confundem isso com o aumento das RPM, mas não tem relação, apenas alimenta o motor com maior rapidez.


Funcionamento

O carburador é dividido em 2 circuitos de alimentação e 1 circuito auxiliar. Achei interessante saber que os circuitos são independentes entre si, e um NÃO afeta o outro.

Antes de ver sobre esses circuitos, veja o vídeo abaixo para entendermos o funcionamento dele, que segue o seguinte princípio:






Portanto a função básica do carburador é: permitir a entrada do ar, pulverizar com a gasolina e mandar a mistura pro motor ;-)


... agora sim... podemos separar os circuitos e entender melhor cada parte \o/



Começando pelo mais simples.... o Circuito Secundário!!!

O Circuito Secundário tem a função de alimentar a MARCHA LENTA, só!!!

Marcha Lenta é quando a moto está ligada (estando engatada ou não) mas não ocorre nenhuma aceleração.



Na imagem acima, pode notar duas partes importantes do carburador, o Pistonete e o giclê. No pistonete, tem uma agulha que regula a quantidade de gasolina a sair pelo giclê, mas durante a marcha lenta, o giclê fica totalmente fechado. Por onde sai a gasolina então?

Perto da saída da mistura, tem um "buraquinho minúsculo" (o giclê de baixa), a partir de onde, através da sucção, o motor consegue puxar combustível.




Outro componente do circuito secundário é o parafuso do ar e o parafuso do rpm. Através desses parafusos é que é feita a regulagem da marcha lenta. Tem muitos vídeos legais no youtube ensinando como fazer isso, vale a pena conferir ;-)




Uma dica importante, caso vá fazer a limpeza, por exemplo, num carburador que já esteja regulado, ao apertar o parafuso até o final, conte quantas voltar foram dadas, assim saberá o qto precisa soltar para que continue regulado ;-)


Circuito Primário ou Principal

O circuito primário só começa a trabalhar a partir de algum movimento no acelerador, ele NÃO tem relação com o secundário (Marcha Lenta). O circuito principal tem como principal função aumentar ou diminuir a entrada da mistura (mantendo a proporção de 15:1) , afinal, maiores velocidades exigem maior quantidade de mistura.

Componentes:

1 - Pistonete: Controla a entrada de ar



Que já completo com a agulha é assim:




2 - Agulha: Controla a passagem da gasolina

3 - Giclê de alta : Junto com a agulha tbm controla a passagem da gasolina.


Observe que a agulha é cônica, ou seja, a ponta mais fina. No circuito principal não tem regulagem de ar, tudo é feito através da trava da agulha. Quando o pistonete está em baixo, quer dizer que a agulha está fechando totalmente o giclê, e saindo o mínimo de gasolina. A medida que vai acelerando, o pistonete com a agulha vai subindo e permitindo maior passagem de gasolina.

Como já mencionado, não existe regulagem de ar no circuito principal, então caso precise de alguma regulagem, é feita na quantidade de gasolina, como? Através das travas da agulha. Algumas agulhas tem ranhuras/travas que permitem fazer a regulagem da sua altura no pistonete.





Para deixar a agulha mais pra cima, a trava fica mais embaixo, deixando a mistura mais rica. A agulha para baixo deixa a trava mais pra cima, deixando a mistura mais pobre.


Circuito Auxiliar

Tem como função ajudar no bom funcionamento do carburador.

É composto por:

1 - Sistema de afogadores.
2 - Sistema de nível constante (bóias).
3 - Sistema de respiros.
4 - Sistemas de válvulas compensadoras

1 - O afogador serve para facilitar a partida fria enriquecendo a mistura. Em algumas motos, como a cg, diminui a entrada de ar, em outras, como as 2 tempos, tem um duto auxiliar que faz mandar mais gasolina.


Fechando a entrada de ar


Mantendo aberta a entrada de ar.




2 - Sistema de bóias: Mantém o nível de gasolina, evitando a perda de combustível pelo ladrão



3 - O Sistema de Respiro consiste em ter pequenos orifícios internos à cuba, que permitem que a pressão interna a essa cuba seja permanentemente igualada à externa (atmosférica), permitindo dessa forma um livre fluxo de combustível.


4- As válvulas compensadoras são pequenos componentes que ocupam lugares apenas em carburadores de motocicletas de cilindradas maiores (XL, CB, CBX).


Uma informação interessante: O filtro de ar tbm tem relação com o carburador, e por isso é importante sempre observá-lo. Se estiver sujo, obstrui a entrada de ar deixando a mistura rica.




Embreagem:



Na prática, quando pensamos em embreagem relacionamos apenas à necessidade de engatar e desengatar a moto, mas vale a pena entender um pouco mais.

A árvore primária do câmbio tem a função de transmitir a potência e a rotação obtida do Virabrequim para a roda. Ao engatar uma marcha, essas duas engrenagens já estão em movimento, e é justamente onde entra a necessidade da embreagem. Sua função então é impedir que, no momento da troca de marcha, a força do virabrequim seja transmitida diretamente, assim não tem aquele solavanco, mas ao contrário disso, o processo é feito de forma suave.

É constituída pelas seguintes peças:



Portanto, o conjunto como um todo é constituído de uma série de discos de fibra e de aço acoplados através de molas que garantem o atrito entre eles.

Abaixo segue fotos do Rafael e eu desmontando tudo \o/ Nossa vítima? Uma DT180 rsrs

Na primeira imagem note como é a embreagem devidamente montada, os discos ficam praticamente vedados entre si. A transmissão da potência à roda é feito graças ao perfeito acoplamento entre esses discos, causando assim o necessário atrito para seu perfeito funcionamento.

Todo o conjunto fica imerso no óleo, e assim entendemos a importância de não usar óleos que contenham o aditivo bissulfeto de molibidênio, que justamente tira esse atrito tão necessário, portanto, ao trocar o óleo, deve-se sempre verificar a especificação como JASO MA.


Pra desmontar estamos craques, já montar é outra história :-P rsrs


A Carcaça e o Platô



Beleza, já conhecemos as peças, mas como é o funcionamento na prática?

A embreagem é acionada pelo motociclista quando puxado o cabo da embreagem através do manete



Internamente é puxada uma alavanca onde é feito o processo que o Marco explicou no vídeo abaixo, apresentando como os discos se abrem. Animação interessante do funcionamento na biz, permitindo observar com mais detalhes.



E há inclusive vídeo aula demonstrando a desmontagem completa



Apenas um detalhe a mais, ao colocar os discos, é necessário fazer o balanceamento dos discos de aço. Eles possuem uma pequena saliência para usar como parâmetro, onde deve-se colocá-los em direções opostas.

Outro detalhe importante é a regulagem da folga. É necessário que mantenha a distância correta na regulagem para que possibilite que os discos se "abram" o suficiente, e com o vídeo abaixo do mestre Shoichi Kado, dispensa qualquer outro comentário ;-)




Postagem extraída do blog: http://rumoaossonhos.blogspot.com.br/  Gentilmente autorizado por Noellen Samara. Obrigado estradeira.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Mecânica básica, aula 2: Óleos Lubrificantes e Gasolina

1.Lubrificação
2.Combustíveis

 1. Lubrificação
A correta lubrificação do motor é fundamental para seu bom funcionamento, afinal o óleo forma uma película que evita o contato direto entre as peças, promovendo diminuição no atrito, e consequentemente, diminuição no desgaste das peças e no aquecimento do motor. Há pelo menos 4 tipos de óleos:

 O vegetal (soja, milho, azeite), o animal (banha, gordura), o mineral (restos de seres vivos em decomposição - petróleo) e o sintético (produzido em laboratório).

 No caso da motocicleta, são utilizados óleos minerais e sintéticos, e por sinal... o óleo sintético, desde que seja produzido especificamente para moto, é a melhor opção, pois o momento mais delicado do motor é na partida a frio, quando as peças não estão suficientemente dilatadas e o óleo ainda não atingiu todos os pontos necessários, e nesse momento, o óleo sintético consegue preencher todo o motor até 3 vezes mais rápido que o mineral... bem... mas peraí né.... vamos por partes ;-) rsrsrs

 Os lubrificantes que utilizamos são compostos de:


 



Essa mistura tem por objetivo atingir a viscosidade necessária, além de satisfazer outras necessidades como auxiliar na refrigeração do motor, limpeza, proteção qto à corrosão, vedação da cãmara de combustão... dentre outras.
 Viscosidade e qualidade são os pontos que mais devemos dar atenção, e que estão especificadas na embalagem, mas...por que é importante?
 A viscosidade é a resistência ao escoamento do produto, quanto mais viscoso menos escorre. Da pra notar bem a diferença né?


 


A viscosidade do óleo necessário para cada motor está devidamente especificado no manual do fabricante, e na hora da compra está determinado de acordo com a classificação SAE (Sociedade dos Engenheiros Automotivos dos Estados Unidos) A classificação SAE vai de:
 0 (fino) --------------------------------------------------- a 90 (o mais grosso).

 Veja alguns exemplos nas embalagens:





Os valores de viscosidade dos óleos são obtidos em laboratório utilizando o Viscosímetro. Quanto maior a temperatura que o óleo é exposto, maior o escoamento, ou seja, ele fica menos viscoso, quanto mais frio... menos escoamento. Com isso, temos os óleos de "inverno" e os de "verão" , justamente devido essa variação de temperatura e sua reação.
 Mas se pararmos pra pensar... não tem como ficar trocando o óleo a cada vez que o tempo muda, principalmente com o tempo doido como está. Para resolver isso, inventaram "um óleo" que na verdade é a mistura dos dois, permitindo enfrentar tanto a temperatura fria como quente. Esses óleos possuem duas viscosidades, notou nas imagens acima que alguns óleos tem duas numerações, como 20W50?

 Com a explicação e exemplos abaixo ficará mais claro, temos então:

 •Óleo monogral: Tem apenas uma viscosidade,viu o SAE 90?


 

Esse é o óleo mais grosso e mais viscoso, utilizado para engrenagens . O óleo monogral só pode ser usado onde a temperatura ambiente do local de uso não sofre grandes variações climáticas.

 •Óleo Multiviscoso:

 Esse é o mais utilizado nas motocicletas, veja a imagem abaixo, consegue notar o 20W50:



Isso quer dizer que é composto de duas viscosidades. O 20W (o w é de winter - frio em inglês) é para a temperatura mais fria, ou seja, 20 é a resistência dele na partida a frio e circulação em baixas temperaturas (lembre-se que a classificação SAE vai de 0 a 90) . O segundo número - 50 - é a classificação para temperaturas quentes, ou seja, quanto mais quente a temperatura, menos viscoso ele é.

 Nesse exemplo então, qual é o mais viscoso (grosso)?

 

O mais viscoso é o 20W - 50, tanto para baixas quanto altas temperaturas, e o menos viscoso (fino) é o 10W-30, deu pra entender? Como já dito, a viscosidade ideal é informada no manual do fabricante, no caso da Lander o manual fala pra usar o Yamalube 4 SAE 20W-50.
 Algumas pessoas, em motos mais antigas, pra diminuir o barulho colocam um óleo mais grosso, mas isso não é nada bom, isso porque sendo mais viscoso que o necessário, o motor terá mais dificuldade em funcionar, precisará de mais força, igual nós quando estamos andando dentro da água, não requer mais força? Isso porque temos a "viscosidade" da água influenciando no nosso movimento, portanto, colocar um óleo mais grosso pode impedir que o óleo chegue ao cabeçote ou outras partes do motor, impedindo a correta lubrificação.
 Um detalhe importante é que a viscosidade não determina a qualidade do óleo, para isso temos mais um indicador, o API, conforme a imagem abaixo:

 


API classifica o óleo segundo o seu desempenho. O S quer dizer que são motores de combustão interna, e a segunda letra, que pode variar de A até M quer dizer que é o mais avançado. A - mineral puro, não tem aditivos M - por enquanto o mais avançado tecnologicamente

. Veja que interessante a classificação abaixo, mesmo sendo para carro:



Uma coisa interessante, a Honda até a pouco tempo atrás recomendava o uso do óleo Mobil, que conforme imagem já postada, possui API SF, já o yamalube possui API SL, qual desses é o mais avançado tecnologicamente e o melhor? Pra pensar um pouquinho...
 Ahhh uma coisa importante, a parceria com a Mobil é só aqui no Brasil, em outros países a Honda orienta a usar Repsol, que é melhor observar a classificação API tbm:

 


maaaas eles mudaram recentemente o óleo indicado, e agora sugerem o:

 

Quanto a qualidade melhoraram um pouco né, agora é o SJ, mas há controvérsias quanto a viscosidade, tem bastante gente reclamando... mas é a orientação.
 Esse questionamento é importante, afinal, se a viscosidade não influencia na qualidade, pode se colocar óleo de qualquer marca, desde que respeite a viscosidade? Sim, pode sim, o que varia entre as marcas são os aditivos, mas calma aí, tem mais. pode-se colocar qualquer marca levando em consideração a API tbm? Sim, desde que a classificação API seja igual ou maior do que a recomendada pelo fabricante, por exemplo, em vez de usar o móbil 20W-50 SF recomendado pela Honda, poderia usar o yamalube 20W-50 SL.
 Nunca, jamais colocar abaixo da classificação API.

 Classificação JASO: Além da classificação API, as embalagens tbm trazem a classificação JASO, que nada mais é do que a classificação feita pelos japoneses, pois a API é pelos americanos. Eles seguem a mesma regras das letras, mas só vai de A até C.
Para as motocicletas só deve-se usar a Classificação A.

 Exemplo:

 


Mas por que só esse? Simples:

 Os aditivos colocados nos óleos tem as seguintes funções:

 •Detergentes - limpeza

 •Dispersante - dispersa a sujeira

 •Antioxidante - não enferrujar

 •Antiespumante

 •... dentre outros.

 Só que alguns óleos, especialmente os de carro, possuem tbm um componente chamado bissulfeto de molibdênio (conhecido tbm como molykote). Esse componente é utilizado para diminuir ainda mais o atrito entre as peças, mas aí surge um problema: A embreagem PRECISA de atrito, pois os discos trabalham banhados no óleo e precisam realmente de atrito para funcionar, por isso na classificação Jaso, para motocicletas, deve-se usar apenas a classificação MA, que é a única que não possui o bissulfeto de molibdênio.
 Ahh só mais uma curiosidade, qdo for trocar, é bom que ele esteja quente, afinal, ficando menos viscoso vai sair todo o óleo sujo ;-) blz?

 2. Combustíveis - Gasolina Embora atualmente exista grandes perspectivas de uma mudança nos "combustíveis" em breve, como o uso das motos elétricas... por enquanto as mais utilizadas ainda são a gasolina ou flex.

Tipos de Gasolina:

 •Tipo A = Gasolina sem adição de álcool (não é comercializada no Brasil)

 •Tipo A Premium = Obtida a partir de uma mistura de Naftas de alta octanagem, o que fornece ao produto
 maior resistência a detonação.

 

Escrevi uns termos bonitos aí em cima hein rsrs mas vamos esclarecer melhor as coisas, mas vai envolver um pouquinho de química ok:
 A gasolina é formada basicamente por Hidrocarboneto (HC), e obtida através da destilação direta do petróleo e seus subprodutos.
 A molécula dela é C8H10 que quer dizer:

 

Isso aí que vimos acima é um Octano.
 Nafta leve é quando a molécula da gasolina foi obtida desse jeito acima direto do petróleo Nafta Craqueada é quando as moléculas são maiores que um octano, e aí precisam quebrar para virar gasolina. Octanagem é a resistência que a gasolina tem a auto-ignição (detonação).
 Lembra-se do ciclo de Otto da aula 1? É quando no momento da explosão a gasolina tem uma maior resistência à detonação espontânea. Um combustível com maior octanagem tem melhor poder de combustão e resiste a altas pressões no interior dos cilindros.




E tudo isso que escrevi então é só pra dizer que: Gasolina tipo A Premium = Obtida a partir de uma mistura de Naftas(moléculas diretas do petróleo ou não) de alta octanagem (que resiste a explodir sozinha e antes da hora), o que fornece ao produto maior resistência a detonação.

 •Tipo C Comum = É a gasolina comum que se encontra disponível no mercado. Esta gasolina é preparada pelas companhias distribuidoras que adicionam álcool etílico anidro à gasolina tipo A . O teor de álcool na gasolina final atinge até 25 % em volume, conforme prevê a legislação atual. Esta gasolina apresenta uma octanagem no mínimo igual a 80 (MON).

 •Tipo C Premium = É a mesma tipo A Premium só que tbm adicionado até 25 % de alcool anidro. Essa gasolina foi desenvolvida com o objetivo principal de atender aos veículos nacionais e importados de altas taxas de compressão e alto desempenho e que tenham a recomendação dos fabricantes de utilizar um combustível de elevada resistência à detonação.

•Gasolina Aditivada = As companhias distribuidoras adicionam a uma parte da gasolina do tipo A, comum ou Premium, além do álcool etílico, produtos (aditivos) que conferem à gasolina características especiais. Nesse caso, a gasolina comum passa a ser comercializada como GASOLINA ADITIVADA. A gasolina Premium, quando aditivada continua a ser denominada como gasolina Premium. O aditivo adicionado na gasolina possui, entre outras, características detergentes e dispersantes e tem a finalidade de melhorar o desempenho do produto. Testes efetuados em motores com a gasolina aditivada da PETROBRAS DISTRIBUIDORA demonstraram que o aditivo contribui para minimizar a formação de depósitos no carburador e nos bicos injetores, assim como no coletor e hastes das válvulas de admissão. A GASOLINA ADITIVADA recebe um corante que lhe confere uma cor distinta daquela apresentada pela gasolina comum (a gasolina aditivada BR-SUPRA apresenta cor verde).

 Algumas montadoras, como a Honda, especificam no manual do fabricante para usar apenas gasolina comum em suas motos. Isso é colocado porque eles não conseguem fazer o teste com todos os tipos de gasolina de todos os países, mas isso é só uma prática da empresa, usar gasolina aditivada não prejudica em nada o motor, ao contrário, como já mencionado os aditivos de detergente é um bom auxílio na limpeza de algumas partes. Aliás, quem só usa gasolina comum e de repente decide começar a usar aditivada... é bom ir com calma, e no começo usar uma proporção de uns 25 % de gasolina aditivada, e depois vai aumentando. A vantagem será, a longo prazo, mais durabilidade ao motor e seus componentes, menos resíduos acumulados, manutenção da limpeza interna de tubulações, bicos e câmara de combustão e ainda produzir menos poluição. E como é de conhecimento geral, um veículo com seu “coração” limpo anda melhor e com mais qualidade.

•Gasolina Podium = A gasolina podium tem tecnologia semelhante à utilizada na gasolina da Fórmula 1. É na verdade uma gasolina tipo Premium, com características diferenciadas: possui octanagem de 95 unidades (IAD – Índice Antidetonante), menor teor de enxofre (30 ppm) e composição especial que evita o acúmulo de resíduos no motor, além de aditivos que conferem proteção ao mesmo.

Importante: O melhor desempenho desse combustível só será percebido em veículos com alta taxa de compressão, ou no caso dos veículos mais modernos, quando o sistema de mapeamento do motor consegue “enxergar” a gasolina Podium, alterando os parâmetros de funcionamento do motor de modo a obter o melhor desempenho com esse combustível. Ela não é um combustível mais forte ou mais puro, apenas com maior octanagem... mas tbm não danifica se outros motores quiserem usar(desde que não seja 2 tempos), só não vai mudar nada, ou melhor.. vai gastar mais rsrs. Por exemplo, a taxa de compressão da Lander é de apenas 9,0, já da Teneré 660 é de 10.0:1, já o de uma GS BMW 1200 é de 12:1, o de uma Hayabusa a partir de 2011 é de 12.5 e assim vai indo... se for maior que 10:1 é considerada alta, se for menor... é de baixa taxa de compressão.

 Importante (de novo): Os motores 2 Tempos possuem excesso de depósitos e o uso de uma gasolina aditivada poderá remover esses depósitos, causando algum tipo de problema, é necessário verificar o manual do proprietário pra saber se pode usar qualquer gasolina mesmo.

Postagem retirada do blog: http://rumoaossonhos.blogspot.com.br/

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Mecânica básica, aula 1: Motores a combustão e Velas


Aula 1:

1.1 - Motores a Combustão
1.2 - Ciclo de Otto
1.3 - Ferramentas utilizadas para conferir a saúde do motor
1.4 - Velas

1.1 - Motores a Combustão
Os motores tem o objetivo de gerar energia, no caso das motocicletas (a gasolina ou flex) são usados os motores a combustão, que geram energia através da queima do combustível. O inventor desse tipo de motor foi Nicolaus Otto, e o ciclo dele leva o nome de Ciclo de Otto.

Partes de um motor:


Explicando um pouco melhor... vamos por partes:

Cabeçote


O cabeçote é a parte superior do motor, responsável pela boa vedação e consequentemente, pela compressão da mistura. Notamos na imagem acima que nele fica a vela de ignição, que vou abordar melhor mais abaixo. Na parte de baixo do cabeçote fica a câmara de combustão, esse espaço aí é onde ocorre a "explosão" da mistura de ar e combustível.


Já escrevi algumas vezes sobre a tal da compressão do Motor, mas falta explicar do que se trata esse "trem" né rsrs, isso será perfeitamente compreendido no tópico sobre o Ciclo de Otto o/ No cabeçote tbm fica o sistema de refrigeração, como as aletas que podem ser observadas na imagem.

  Cilindro
O cilindro é uma das partes que requer bastante atenção, pois abriga o pistão e seus anéis, e é nele que ocorre a transformação de energia em movimento, que tbm será melhor explicada no Ciclo de Otto.


No cilindro está a camisa que pode ser de aço, de cerâmica ou de ferro fundido, e é dentro da camisa que fica o pistão, em um movimento de sobe e desce produzindo a compressão do motor.


Normalmente ele é feito de duralumínio por ser mais leve.


Cárter

O cárter é a parte inferior do motor. Abriga o virabrequim que, conforme já mencionado, é responsável por transformar o movimento de sobe e desce que ocorreu dentro do ciclindro em movimento de rotação.

Quando lí o livro "Manual de Eletricidade e Mecânica de Motos", imaginei que o virabrequim era uma peça pequena, não tinha muita noção de sua proporção, mas olha só que interessante, ela é realmente um diferencial.



1.2 - Ciclo de Otto

Resumo: gera a compressão do motor, mas o que é compressão? É o resultado da força da pressão, no caso, entendi que é a pressão exercida sobre o pistão no combustível (gasolina + ar) em que gera a potência. (Deve envolver mais, mas a forma fácil de entender acho que é essa rsrs)

O ciclo de Otto em motores 4 tempo tem 4 fases.

•Admissão: Abre as válvulas de succção e como se fosse uma seringa, puxa o ar e a gasolina para dentro do cilindro
•Compressão: Fecha as válvulas, o pistão sobe pressurizando a mistura (ar + gasolina) na câmara de combustão É importante que nesse momento não tenha nenhum tipo de vazamento nas válvulas, nem nas juntas e nem no pistão, senão pode perder compressão - fazendo a "explosão" ser mais fraca
•Explosão: É gerada uma faísca na vela que inflama a mistura e força o pistão pra baixo - é onde realmente produz potência e o motor está girando
•Escape: Os gases queimados são expulsos para dar lugar a nova mistura.
  Quando vemos no painel a quantidade de RPM's, é esse processo que está ocorrendo, conforme imagem abaixo:


E agora da pra entender melhor esse ciclo:



 E o processo fase a fase:


Acho que agora ficou bem mais simples hein.


1.3 - Ferramentas utilizadas para conferir a saúde do motor.

Já vimos até agora algumas das peças que compõem o motor e seu funcionamento para a geração da energia. A partir desse entendimento, podemos descobrir como analisar a saúde do motor, para isso usamos 3 equipamentos, que são eles:

•Compressímetro: Mede a pressão de compressão (lembra o que é isso?) que o motor consegue fazer - é importante que o motor esteja quente e o acelerador aberto ok.



É retirada a vela e no lugar é rosqueado o Compressímetro. Se estiver entre: 0 - 80 lbs - corre Bino porque é uma ciladaaaa - o motor deve estar com vazamento, e nem sempre uma retificação da bons resultados, além do preço ser muito alto; 80 - 120 lbs - está bom Normalmente motos a gasolina ou flex ficam entre 110 - 160, uma moto zero chega a 165, mas logo após o amaciamento já cai uns 20 % , por isso é importante nessa fase dos primeiros 1000 kms ter tanto cuidado. Motos com mais de um cilindro precisa tirar todas as velas e testar um por um. Uma dica bacana é que ao comprar um compressímeto, escolha um modelo que tenha 3 tipos de bicos, que são as possíveis opções para atender a todos os tipos de cabeçotes.

•Vacuometro: usado para verificar se existe entradas falsas de ar e equalizar motores com mais de 2 cilindros - verifica a sucção de ar.



•Medidor de vazão de cilindros: usado para detectar o local exato do vazamento.


Claro que todas essas ferramentas são primordiais numa boa oficina mecânica, para os amadores nem tanto...

1.4 - Velas

Vimos que para que ocorra a geração de energia, é necessário que haja uma faísca pra queimar o "combustível", e essa é umas das importâncias da vela, mas tem muitos mais, acredite o.O. A função da vela é conduzir a alta voltagem (que pode ser de 30 mil volts o.O ) para o interior da câmara de combustão convertendo-a em faísca para inflamar a mistura, está diretamente ligada ao rendimento do motor, nível de consumo de combustível, refrigeração e até emissão de gases poluentes, da pra acreditar? o.O


Quando vai comprar uma vela, não se fala "quero uma vela pra Lander", mas sim uma vela DR8EA, de acordo com o que acabei de ver na tabela da NGK, se for outra marca isso pode mudar. É curioso que as vezes até um mesmo modelo de moto de um ano pro outro isso pode mudar, e pelo código da pra entender o porque dessa importância. O código de cada vela está nela mesmo, como pode observar:


O significado disso tudo é: No caso da lander então ela é: D - 12 mm de diâmetro da rosca R - Resistiva - (Sabe qdo liga o chuveiro e a TV fica chuviscando? Isso é interferência, esse modelo impede isso) 8 - Grau Térmico E - 19 mm de comprimento da rosca A - Tipo sem junta Incrível né, uma "simples" vela interfere até na refrigeração do motor, pois a vela puxa o calor do cabeçote e manda para as aletas. Se colocar uma vela maior do que deve em comprimento, o pistão pode bater nela e chegar a travar o motor, imagine o estrago ¬¬' Outra coisa importante: viu no desenho da vela que tem uma folga entre os eletrodos?

Essa folga não pode ser uma folga qualquer, ela tem o tamanho certo. É chamada de GAP, e no caso da lander deve ser de 0,7mm. Existe calibrador de lâmina para colocar o valor certinho. Uma distância maior ou menor pode fazer a geração da faísca não ser bem executada. É recomendável fazer a manutenção da vela a cada 4 mil km's, limpando a vela com gasolina e escova de dente, e se necessário calibrar o GAP. O fabricante recomenda trocar a cada 8 mil km's ou de acordo com o manual do fabricante. Postagem retirada do blog: http://rumoaossonhos.blogspot.com.br/