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...bem vindo a porta que te levará a viajar comigo; que te fará meu companheiro(a) em cada nova aventura... e história nas antigas; venha, vamos juntos conhecer o mundo... Andarilho.

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Rolim de Moura, Rondônia, Brazil
...Motociclista aventureiro, apaixonado pela vida e pela liberdade... ...Antonio o Andarilho; é natural de Dourados –MS, tem 42 anos; autodidata em moto turismo; é otimista, prega e tem por objetivo: viver a vida intensamente com responsabilidade; preza pela direção defensiva e responsabilidade no trânsito, é disciplinado e adora desafios; membro das redes: Brazil Rider's, AME-BR e Irmandade Sem Fronteiras ; fundador e membro ativo do Moto Grupo Expedicionários da Amazônia; também membro da Iron Butt Association, Iron Butt # 45.581 do mundo; não é apegado a bens materiais; vive em Rolim de Moura –Rondônia -Brasil, com sua esposa e dois filhos menores; ex militar do Exército, atualmente comerciante; possui vasta experiência em viagens de curto, médio e longo alcance; e tem prazer em planejar, organizar e executar expedições, viagens e passeios; sempre muito bem acompanhado por sua fiel companheira "Sarita", sua Nx 350 Sahara 1999, a qual possui e viajam juntos a muitos anos; conhecedor da mecânica básica de motos; fala espanhol; e possui curso e estágio de 1ºs socorros e sobrevivência do Exército Brasileiro. Informações e contato; e-mail: andarilhoexpedicoes@gmail.com

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Expedição Rondon 2016. Dia 13 de maio, 3º dia, 2ª etapa.

Hoje iniciamos a segunda parte da 2ª Etapa; me desloquei de Rolim de Moura para São Miguel do Guaporé, passando por Santana do Guaporé, distrito de São Miguel. Já em São Miguel me juntei ao Fabiano Silva de Ji-Paraná que será meu companheiro nessa etapa. Depois de fazer algumas fotos e nos organizar seguimos para Bom Sucesso, Distrito de Seringueiras; vila pequena, mas possui combustível e mercado. Ali identifiquei a torre da Rolim Net, provedor de internet e patrocinador da Expedição Rondon; Segundo um morador a cobertura da Rolim Net na região é muito boa, e permitiu a toda a população dessa região, inclusive da zona rural, se conectar com o mundo através da internet; antes impossível. Conhecemos também o jovem Jefferson Vieira, proprietário de uma oficina de motos, a Motos Vieira; gente boa demais. Depois de algumas fotos, seguimos para Novo Planalto, passando pelo Rio Bananeiras; lugar de extrema beleza natural. Fiquei surpreso com a grande quantidade de plantações de Urucum nessa região.  Chegamos a Novo Planalto na hora do almoço, depois de algumas fotos, fizemos um almoço improvisado, já que na vila não tem restaurante. Durante nosso almoço fomos abordados pela pequena Rafaely de 09 anos, querendo fazer algumas fotos das motos... enquanto a gente almoçava na sombra de uma árvore, ela tirava as fotos. O Fabiano começou a conversar com ela, e o papo rolou solto. Segundo ela é a primeira vez que aparecem motos grandes na vila. Depois de terminar o almoço fomos até a oficina de motos Planalto Motos, que é do Sr. Odair pai da Rafaely, conversar um pouco. Então fomos intimados pela Rafaely a visitar sua escola. Nos deslocamos para a escola na rua detrás de onde estávamos. Chegando a Escola Princesa Isabel, fomos recebidos pelo Silézio e o Célio; que nos convidaram a entrar para conhecer a escola. Entramos e conversamos um pouco no pátio; percebi que o Fabiano tinha sumido ali de junto de nós; quando olho para dentro de uma sala, lá estava o companheiro dando uma “palestra” para a criançada a convite da Professora Marilza Marques, que também acompanhava atenta e curiosa às informações passadas pelo Fabiano. Me juntei a eles; na verdade as crianças queriam saber o que a gente fazia, por que estávamos vestidos daquela maneira, se éramos pagos pelo governo... foi um bate papo interessante... perguntas e mais perguntas. Depois foram todos lá fora ver as motos e fazer algumas fotos. Ficaram maravilhados com as motos; principalmente quando o Fabiano falou a idade das motos, Sahara 16 anos e Teneré 25 anos. Depois de tomar um café, feito especialmente para nós pelas meninas da cozinha; conversamos um bocado com as professoras, merendeiras, zeladoras, secretárias... foi muito bom. Obrigado a todos da Escola Princesa Isabel de Novo Planalto pelo carinho: Luciana, Franciely, Graciane, Nilson, Elza, Silézio, Célio, Marilza (mãe da Rafaely), Prof. Marilza Marques, ...
Nos despedimos e seguimos sentido BR 429; chegamos ao asfalto, rodamos mais 40 km e pegamos a esquerda sentido Porto Murtinho por estrada de terra com muita poeira, onde estamos agora; conhecendo a Festa do Divino. Chegamos direto na beira do Rio São Miguel, onde esta ancorado o pequeno barco do Divino; posicionamos as motos em frente ao barco, um pouco receosos, pois vimos muitas pessoas com vestimentas diferentes, coloridas, como que cuidando do barco. Ao lado um senhor cantava e tocava samba e pagode com seu cavaco embaixo da antiga mangueira, sendo aplaudido pelos expectadores toda vez que acabava uma música. Fizemos algumas fotos e enquanto ainda estávamos ali conversando com o Carlos, repórter de Rolim de Moura, do site A FOTO RM ; ouvimos um grito de advertência: Senhora por favor desça, desça!! Olhamos para o lado, para o barco e notamos que havia uma mulher em cima do barco, posando para fotos. A mulher assustada disse para o senhor que se aproximava rapidamente com vestimenta vermelha e branca e um tipo de quepe na cabeça escrito “Divino Espírito Santo”; O que eu fiz senhor? Ele respondeu nervoso, mas tentando disfarçar: Em 122 anos de Festa do Divino a senhora é a terceira mulher a pisar no barco; não pode, não pode!!! É claro que nós ficamos meio assustados com aquela situação, e percebemos que estávamos diante de um “lugar” muito sagrado; portanto deveríamos usar o bom senso e pensar, perguntar...  antes de fazer qualquer coisa. O barco do Divino é que conduz a “Coroa” por 40 dias pelo Rio Guaporé e afluentes se for o caso; sua tripulação é composta somente por homens, sendo vedada a participação de mulheres nessa tarefa. O barco pelo que percebi, poderia ser comparado a Arca da Aliança do antigo Testamento da Bíblia. É lugar sagrado, imaculado... apenas para fotos, qualquer homem pode subir no barco; as mulheres podem apenas tocar no barco se assim desejar.
Saindo dali montamos acampamento no quintal da casa do Miguel, morador antigo da vila. Estamos acompanhando as festividades e as atividades, que são muito interessantes. Essa manifestação de fé e cultura, já existe há 122 anos aqui no Vale do Guaporé; e é a única Festa do Divino fluvial de todo o mundo. As cantigas entoadas durante os deslocamentos de casa em casa são de tirar o fôlego... senti saudades das vezes que meu finado pai cantava enquanto capinava o cafezal.
Porto Murtinho é uma comunidade quilombola, bem pequena, portanto não existe hotel aqui; todos que estão aqui; estão nos barcos ancorados aqui na beira do Rio São Miguel, nas casas dos moradores, e em barracas que é o nosso caso. A pequena vila está cheia de gente; em sua maioria pessoas de comunidades quilombolas entre Pimenteiras D’Oeste e Guajará Mirim; brasileiras e também bolivianas.  São poucas as pessoas de fora, tipo turistas que vi aqui. Aqui todas as refeições são gratuitas, por conta dos festeiros. Existem 03 galpões, e você escolhe onde comer. Comida muito boa por sinal. Nessa festa serão consumidos 20 bois e mais algumas galinhas, peixes, porcos, carneiros...
Agora a noite teve a missa campal e depois os festeiros foram para o forró. Esta sendo uma experiência incrível; recomendo a todos conhecer essa festa tradicional aqui do Estado de Rondônia.

Total do dia: 276 km.
Entre Rolim de Moura e Porto Murtinho, segundo a rota da Expedição Rondon, 2ª Etapa.



Fabiano se deslocando para São Miguel do Guaporé, bem cedo

Eu e a Sarita dando a boas vindas ao Sol


Santana do Guaporé, distrito de São Miguel do Guaporé




Ruas de São Miguel






Prefeitura de São Miguel do Guaporé

Encontro com o Fabiano em S. Miguel

Fabiano Silva, esse será meu companheiro nessa etapa


Chegando a Bom Sucesso

Bom Sucesso, distrito de Seringueiras


Antena da Rolim Net, provedor de internet


Batendo um papo antes mesmo de descer da moto, kkkkkkk



Nós seguimos por essa Linha 104 para irmos para a próxima vila

Fazendo os registros para vocês


Jefferson Vieira em sua oficina de motos; a Motos Vieira


Seguindo para Novo Planalto


Região de muitas fazendas de gado


Cowboy na lida

Rio Bananeiras


Titia e Vovózona

Conferindo os mapas

Região com muitas lavouras de Urucum (coloral)

Novo Planalto, distrito de Seringueiras



Máquina de beneficiamento de café

Tesouro de Rondônia

Grande parte do Estado de Rondônia produz café



Almoçando

Rafaely de 09 anos; ela nos disse que são as primeiras motos de maior porte que ela viu por aqui


Sr. Odair pai da Rafaely e dono da oficina de motos Planalto Motos



Escola da vila

Prof. Célio e o Monitor de pátio Silézio nos recebendo

Prof. Célio


Fabiano contando um pouco de que estamos fazendo para a moçada


Conversando um pouco com a garotada

Foi uma experiência maravilhosa

Como eles gostaram... das histórias, das aventuras

Conhecendo as motos

Todos querendo ver as fotos

Profª Marilza Marques


Êta galerinha animada... um dia volto aí ver vocês!

Funcionários da escola num bate papo descontraído conosco durante o cafezinho


BR-429

Conferindo os dados no computador de bordo, kkkkkkkkkkkk



Entrada para Porto Murtinho, BR-429

Pequena vila entre a BR-429 e Porto Murtinho; ainda sem nome

Essa região é uma das maiores produtoras de inhame do Brasil 



Barco do Divino se deslocando pelo rio. Foto do ano anterior.

Chegada do Barco do Divino a Porto Murtinho, dia 11 de maio de 2016. Imagens do site A FOTO RM

Os fiéis recebem o Divino dentro d'água; grande demonstração de fé e devoção.

Remeiros do Divino fazendo bonito na chegada.

Leia esse texto para você entender melhor como funciona esse grandioso evento:

Festa do Divino do Espirito Santo do Vale do Guaporé.
O Imperador e a Imperatriz da festa em Pimenteiras presidem o início da Festa do Divino.
A 122ª edição da Festa do Senhor do Divino Espírito Santo começa no domingo de Páscoa, com a saída da Igarité do Divino, com seus remeiros, cantores, mestres e guardiões dos símbolos, que parte da localidade de Pimenteiras, no Rio Guaporé e visitam perto de 50 comunidades até chegar na quarta-feira anterior ao domingo de Pentecostes à cidade de onde se dará o encerramento, neste ano Porto Murtinho.
A Festa do Divino Espírito Santo no Rio Guaporé é o segundo festejo religioso mais antigo da Amazônia, superado apenas pelo Círio de Nazaré, em Belém do Pará. Ao contrário de similares que acontecem em vários estados brasileiros, no Guaporé não existe cavalhada ou luta entre “mouros” e “cristãos”, sendo o deslocamento feito todo por via fluvial.
Trazida da região de Cuiabá em 1894, a Festa do Divino visita as comunidades brasileiras e bolivianas ao longo dos vale do Guaporé. Na década de 1930 as celebrações foram normatizadas pelo Bispo Dom Francisco Xavier Rey "Dom Rey".
As sedes são sempre escolhidas no ano anterior quando também são sorteados, dentre os membros da Irmandade as principais autoridades da próxima Festa, o imperador, a imperatriz e outros componentes da coordenação. Com ritos próprios e ritmos específicos, as celebrações atraem milhares de pessoas, especialmente na sede do encerramento.
O Barco do Divino leva dentro a Arca contendo a Coroa, a Bandeira, o Cetro as Toalhas do altar e os livros de Ata. Após o encarregado da Coroa receber a arca, o Barco do Divino inicia sua peregrinação ao longo do rio Guaporé, por quarenta dias, até o final da Festa, colhendo óbolos (esmolas) entre os ribeirinhos, o final da festa dá-se no dia de Pentecostes.
Ao aproximar-se de cada povoação, o Barco do Divino anuncia a sua chegada através da ronqueira (artefato confeccionado em madeira com um cano de ferro por onde é introduzido a pólvora), três buzinadas em chifres de bois, e mais próximos, os remeiros entoam cânticos de chegada e fazem a "meia Lua", em frente ao porto, que consiste em três voltas circulares com, o barco, antes de aportar. As remadas são cadenciadas e os remeiros espargem água para o alto entre uma remada e outra. O cacheiro inicia o toque do tarol.
Fonte: divinodoguapore.blogspot.com.br
Local: Porto Murtinho - São Francisco do Guaporé-Rondônia-Brasil.
Data: 11 a 15/05/2016

Barco do Divino ancorado na margem do Rio São Miguel em Porto Murtinho; dia 13/05/2016


Festa do Divino Espírito Santo do Guaporé; 122 anos de tradição e fé

Rio São Miguel


Procissão do Divino, de casa em casa

Bandeira do Divino



Durante os deslocamentos, um grupo vai cantando; com 1ª, 2ª e 3ª voz, segundo o Fabiano; é lindo demais.



Nossa área de camping


Jantar

Missa campal

Linda manifestação de fé e alegria; mesmo estando ligada a uma religião específica; o lado da tradição, da fé, da alegria com que é realizada essa festa; agrada qualquer pessoa que valoriza as diferentes culturas mundo afora, como eu. Principalmente por ser aqui de nosso Estado de Rondônia, e estar se mantendo viva por mais de 122 anos. Devemos valorizar nossa cultura, valorizar o que é nosso.