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...Motociclista aventureiro, apaixonado pela vida e pela liberdade... ...Antonio o Andarilho; é natural de Dourados –MS, tem 42 anos; autodidata em moto turismo; é otimista, prega e tem por objetivo: viver a vida intensamente com responsabilidade; preza pela direção defensiva e responsabilidade no trânsito, é disciplinado e adora desafios; membro das redes: Brazil Rider's, AME-BR e Irmandade Sem Fronteiras ; fundador e membro ativo do Moto Grupo Expedicionários da Amazônia; também membro da Iron Butt Association, Iron Butt # 45.581 do mundo; não é apegado a bens materiais; vive em Rolim de Moura –Rondônia -Brasil, com sua esposa e dois filhos menores; ex militar do Exército, atualmente comerciante; possui vasta experiência em viagens de curto, médio e longo alcance; e tem prazer em planejar, organizar e executar expedições, viagens e passeios; sempre muito bem acompanhado por sua fiel companheira "Sarita", sua Nx 350 Sahara 1999, a qual possui e viajam juntos a muitos anos; conhecedor da mecânica básica de motos; fala espanhol; e possui curso e estágio de 1ºs socorros e sobrevivência do Exército Brasileiro. Informações e contato; e-mail: andarilhoexpedicoes@gmail.com

sexta-feira, 21 de março de 2014

Mecânica básica, aula 03: retífica, carburador e embreagem

Retífica:


Retificar, segundo o dicionário é o mesmo que corrigir, emendar, alinhar, endireitar, arranjar. As peças internas do motor estão em constante atrito, sujeitas a grandes esforços e trabalham sempre em alta temperatura, isso contribui para um desgaste natural dessas peças.Esses desgastes causam folgas e barulhos no motor, mas quando se trata de desgastes no pistão, anéis e camisa... aí o negócio fica mais sério, pois já impacta na compressão, causando perda de potência da moto. A função da retífica é justamente tirar essas imperfeições, por exemplo desgastando a camisa.... e assim por diante.

Principais sintomas/motivos para a necessidade de retífica:

A compressão do motor estiver baixa / perda de potência
Fundição das peças por falta de óleo, mistura pobre
Excesso de fumaça e barulho
Alto consumo


Além do desgaste natural das peças, o mau uso tbm pode causar a necessidade de retífica antes do tempo:

super aquecimento
manter o óleo baixo ou o péssimo costume de só completar o óleo
sair com o motor ainda frio
falta de manutenção preventiva


É interessante salientar que a retífica pode ser completa ou parcial. Costuma-se dizer, por exemplo, retificar a parte de baixo, que significa restaurar a parte do bloco, que inclui a camisa do cilindro, virabrequim, pistão e biela; ou retificar a parte de cima que é o cabeçote com as válvulas, guias...etc.

Para direcionar a análise:

Motor 4 tempos
Baixa potência, baixa compressão e fumaça no escape com o motor quente, sinal de necessidade de retífica do cilindro
Baixa potência, baixa compressão mas não sair fumaça no escape, sinal de necessidade de retífica no cabeçote

Motor 2 Tempos
Baixa compressão, falta de força, pedal de partida muito mole, sinal de necessidade de retífica de cilindro



Embora não sei de que cabeçote se trata, achei um vídeo bacana que mostra o passo a passo de uma retífica, mas antes vale tbm rever a aula 4/5 referente as válvulas para reconhecer os processos.


Algumas particularidades:

  • Motos como a Fazer/Lander (que utilizam praticamente o mesmo motor) não tem retífica de cilindro, pois elas não possuem camisa.






  • Normalmente os motores aceitam até 4 retíficas, aumentando 0,25mm de diâmetro em cada uma, mas algumas motos, como a Intruder, só aceita 2 retíficas, aumentando 0,50mm em cada uma.
  • Ao fazer o desgaste da camisa, é lógico que será necessário trocar tbm o tamanho do pistão e anéis, visto que a folga ficaria maior se usasse os originais, o profissional da retífica passam os novos diâmetros.
 Após pegar as peças retificas, é necessário um cuidado especial na montagem e no novo amaciamento do motor, para que tenha um perfeito casamento das peças e uma vida longa novamente ao motor.




Carburador:


Embora o carburador de cada motocicleta seja diferente em dimensões, calibragem de gicleurs, regulagem de entrada de ar... dentre outras características, todos eles tem o mesmo princípio de funcionamento, que é o mais interessante em conhecer.

Funcionalidades:

Pulverizar a gasolina que entra dentro da câmara de combustão
Misturar ar + gasolina na proporção correta
Aumentar ou diminuir a velocidade em que a mistura entra no motor...mas vamos entender melhor isso tudo \o/

1º - Pulverizar a gasolina que entra dentro da câmara de combustão
Para que ocorra a combustão, é necessário que a mistura (gasolina + ar) chegue a faísca da vela, mas ela estando totalmente líquida não ocorre esse processo, é necessário portanto que a gasolina esteja pulverizada.
O princípio de pulverizar é o mesmo que encontramos por exemplo num desodorante, quando um vaporizador transforma o líquido em pequenas gotículas dispersas no ar.




2º - Misturar ar + gasolina na proporção corretaJá vimos anteriormente que para a queima total da gasolina, é necessário que a proporção esteja em 15:1 em média. Para o bom funcionamento da motoca, é importante que isso seja respeitado, pq:

A proporção de gasolina maior que a de ar é chamada de Mistura Rica, e provoca um consumo excessivo de combustível, deixa a marcha lenta irregular, perde potência, solta cheiro de gasolina pelo escapamento e provoca excesso de carbonização na vela
A proporção de ar maior que a de gasolina é chamada de Mistura Pobre, e provoca superaquecimento no motor, chegando ao ponto de fundir ou furar o pistão a longo prazo, perde potência e tbm cria depósitos embranquecidos na vela3º - Aumentar ou diminuir a velocidade em que a mistura entra no motor
O carburador é responsável por alimentar o motor sempre com doses iguais de mistura, mas nem sempre com a mesma velocidade. Alguns confundem isso com o aumento das RPM, mas não tem relação, apenas alimenta o motor com maior rapidez.


Funcionamento

O carburador é dividido em 2 circuitos de alimentação e 1 circuito auxiliar. Achei interessante saber que os circuitos são independentes entre si, e um NÃO afeta o outro.

Antes de ver sobre esses circuitos, veja o vídeo abaixo para entendermos o funcionamento dele, que segue o seguinte princípio:






Portanto a função básica do carburador é: permitir a entrada do ar, pulverizar com a gasolina e mandar a mistura pro motor ;-)


... agora sim... podemos separar os circuitos e entender melhor cada parte \o/



Começando pelo mais simples.... o Circuito Secundário!!!

O Circuito Secundário tem a função de alimentar a MARCHA LENTA, só!!!

Marcha Lenta é quando a moto está ligada (estando engatada ou não) mas não ocorre nenhuma aceleração.



Na imagem acima, pode notar duas partes importantes do carburador, o Pistonete e o giclê. No pistonete, tem uma agulha que regula a quantidade de gasolina a sair pelo giclê, mas durante a marcha lenta, o giclê fica totalmente fechado. Por onde sai a gasolina então?

Perto da saída da mistura, tem um "buraquinho minúsculo" (o giclê de baixa), a partir de onde, através da sucção, o motor consegue puxar combustível.




Outro componente do circuito secundário é o parafuso do ar e o parafuso do rpm. Através desses parafusos é que é feita a regulagem da marcha lenta. Tem muitos vídeos legais no youtube ensinando como fazer isso, vale a pena conferir ;-)




Uma dica importante, caso vá fazer a limpeza, por exemplo, num carburador que já esteja regulado, ao apertar o parafuso até o final, conte quantas voltar foram dadas, assim saberá o qto precisa soltar para que continue regulado ;-)


Circuito Primário ou Principal

O circuito primário só começa a trabalhar a partir de algum movimento no acelerador, ele NÃO tem relação com o secundário (Marcha Lenta). O circuito principal tem como principal função aumentar ou diminuir a entrada da mistura (mantendo a proporção de 15:1) , afinal, maiores velocidades exigem maior quantidade de mistura.

Componentes:

1 - Pistonete: Controla a entrada de ar



Que já completo com a agulha é assim:




2 - Agulha: Controla a passagem da gasolina

3 - Giclê de alta : Junto com a agulha tbm controla a passagem da gasolina.


Observe que a agulha é cônica, ou seja, a ponta mais fina. No circuito principal não tem regulagem de ar, tudo é feito através da trava da agulha. Quando o pistonete está em baixo, quer dizer que a agulha está fechando totalmente o giclê, e saindo o mínimo de gasolina. A medida que vai acelerando, o pistonete com a agulha vai subindo e permitindo maior passagem de gasolina.

Como já mencionado, não existe regulagem de ar no circuito principal, então caso precise de alguma regulagem, é feita na quantidade de gasolina, como? Através das travas da agulha. Algumas agulhas tem ranhuras/travas que permitem fazer a regulagem da sua altura no pistonete.





Para deixar a agulha mais pra cima, a trava fica mais embaixo, deixando a mistura mais rica. A agulha para baixo deixa a trava mais pra cima, deixando a mistura mais pobre.


Circuito Auxiliar

Tem como função ajudar no bom funcionamento do carburador.

É composto por:

1 - Sistema de afogadores.
2 - Sistema de nível constante (bóias).
3 - Sistema de respiros.
4 - Sistemas de válvulas compensadoras

1 - O afogador serve para facilitar a partida fria enriquecendo a mistura. Em algumas motos, como a cg, diminui a entrada de ar, em outras, como as 2 tempos, tem um duto auxiliar que faz mandar mais gasolina.


Fechando a entrada de ar


Mantendo aberta a entrada de ar.




2 - Sistema de bóias: Mantém o nível de gasolina, evitando a perda de combustível pelo ladrão



3 - O Sistema de Respiro consiste em ter pequenos orifícios internos à cuba, que permitem que a pressão interna a essa cuba seja permanentemente igualada à externa (atmosférica), permitindo dessa forma um livre fluxo de combustível.


4- As válvulas compensadoras são pequenos componentes que ocupam lugares apenas em carburadores de motocicletas de cilindradas maiores (XL, CB, CBX).


Uma informação interessante: O filtro de ar tbm tem relação com o carburador, e por isso é importante sempre observá-lo. Se estiver sujo, obstrui a entrada de ar deixando a mistura rica.




Embreagem:



Na prática, quando pensamos em embreagem relacionamos apenas à necessidade de engatar e desengatar a moto, mas vale a pena entender um pouco mais.

A árvore primária do câmbio tem a função de transmitir a potência e a rotação obtida do Virabrequim para a roda. Ao engatar uma marcha, essas duas engrenagens já estão em movimento, e é justamente onde entra a necessidade da embreagem. Sua função então é impedir que, no momento da troca de marcha, a força do virabrequim seja transmitida diretamente, assim não tem aquele solavanco, mas ao contrário disso, o processo é feito de forma suave.

É constituída pelas seguintes peças:



Portanto, o conjunto como um todo é constituído de uma série de discos de fibra e de aço acoplados através de molas que garantem o atrito entre eles.

Abaixo segue fotos do Rafael e eu desmontando tudo \o/ Nossa vítima? Uma DT180 rsrs

Na primeira imagem note como é a embreagem devidamente montada, os discos ficam praticamente vedados entre si. A transmissão da potência à roda é feito graças ao perfeito acoplamento entre esses discos, causando assim o necessário atrito para seu perfeito funcionamento.

Todo o conjunto fica imerso no óleo, e assim entendemos a importância de não usar óleos que contenham o aditivo bissulfeto de molibidênio, que justamente tira esse atrito tão necessário, portanto, ao trocar o óleo, deve-se sempre verificar a especificação como JASO MA.


Pra desmontar estamos craques, já montar é outra história :-P rsrs


A Carcaça e o Platô



Beleza, já conhecemos as peças, mas como é o funcionamento na prática?

A embreagem é acionada pelo motociclista quando puxado o cabo da embreagem através do manete



Internamente é puxada uma alavanca onde é feito o processo que o Marco explicou no vídeo abaixo, apresentando como os discos se abrem. Animação interessante do funcionamento na biz, permitindo observar com mais detalhes.



E há inclusive vídeo aula demonstrando a desmontagem completa



Apenas um detalhe a mais, ao colocar os discos, é necessário fazer o balanceamento dos discos de aço. Eles possuem uma pequena saliência para usar como parâmetro, onde deve-se colocá-los em direções opostas.

Outro detalhe importante é a regulagem da folga. É necessário que mantenha a distância correta na regulagem para que possibilite que os discos se "abram" o suficiente, e com o vídeo abaixo do mestre Shoichi Kado, dispensa qualquer outro comentário ;-)




Postagem extraída do blog: http://rumoaossonhos.blogspot.com.br/  Gentilmente autorizado por Noellen Samara. Obrigado estradeira.